Luxação da Patela – Dr. Leandro Vidigal

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Luxação da Patela

A luxação da patela ocorre quando ela desencaixa do fêmur, na grande maioria das vezes, para a parte lateral (externa) do joelho. Isto ocorre geralmente com movimentos de rotação súbita com a articulação toda ou quase totalmente esticada.

Em muitos casos podem ser identificados fatores predisponentes para ocorrência da luxação patelar, com etiologia (causa) discutível na literatura pertinente. Eles variam de fatores determinados geneticamente aos relacionados à má formação das estruturas estabilizadoras da articulação patelo-femoral. Entorses ou traumatismos diretos também pode deslocar a patela, sendo que nestes casos não necessariamente observamos alterações anatômicas prévias.

A luxação da patela ocasiona dor intensa, associada à deformidade, inchaço e incapacidade de movimentação do joelho. Algumas vezes ela retorna espontaneamente à posição original. Quando isto não acontece, a redução deve ser realizada por um médico capacitado, após a realização de uma radiografia para identificar possíveis fraturas associadas.

Em se tratando de episódio único a tendência é pelo tratamento não-cirúrgico, exceto na ocorrência de fraturas com desvio ou de lesões osteocondrais instáveis (que geram fragmentos de cartilagem livres na articulação e que requerem remoção). A base do tratamento conservador é a busca de um equilíbrio muscular que resulte no alinhamento entre a patela e o fêmur, às custas do fortalecimento da musculatura medial (parte interna) da coxa, dentre outros.

Já nos casos de luxação recidivante (mais de um episódio) há indicação cirúrgica, uma vez que nestas situações a recorrência é muito provável e tende a acarretar degeneração da patela e da parte correspondente do fêmur (tróclea femoral), assim como aumenta muito a ocorrência de lesões mais graves associadas.

Perguntas Frequentes

Quais são as possíveis causas da luxação da patela?

A patela pode luxar (deslocar) em decorrência de traumatismo direto ou por entorse, mesmo sem alterações anatômicas predisponentes. Nestes casos ocorre o rompimento do ligamento patelofemoral medial (LPFM), que une a patela à parte interna do fêmur.

Em outros casos observamos alterações anatômicas pré-existentes no joelho, que sem trauma ou por trauma mínimo sofre um desencaixe da patela. Nestas situações encontramos como fatores predisponentes mais frequentes: displasia troclear, patela alta e Angulo “Q” aumentado/ medida “TA-GT” aumentada.

  • Displasia troclear: corresponde a uma má formação da região do fêmur na qual a patela se encaixa, sendo mais “rasa” que o normal, o que favorece o deslocamento patelar.
  • Patela alta: posição da patela mais elevada que favorece seu desencaixe da tróclea femoral.
  • Angulo “Q” aumentado: ângulo formado pelos eixos do músculo quadríceps e do tendão patelar acima do normal – favorece o deslocamento lateral da patela quando o referido músculo se contrai.
  • Medida TA-GT aumentada: esta medida é obtida por exame de Tomografia Computadorizada, que afere a distância entre duas linhas – uma que passa pelo centro da tuberosidade anterior da tíbia e a outra pelo centro da tróclea femoral. Quando acima de 20 mm indica a existência de um vetor de força favorável à luxação da patela.

Como é o tratamento não-cirúrgico da luxação da patela?

Em se tratando do primeiro episódio de luxação da patela, uma vez excluídas lesões concomitantes e agravantes (como fraturas ou lesões osteocondrais), opto pelo tratamento conservador. Isto inclui, na fase aguda (logo após a luxação), imobilização (com imobilizador articular ou tala gessada), uso de muletas, repouso e uso de medicamentos analgésicos. Geralmente libero a imobilização após 2 a 3 semanas, dependendo da dor e do inchaço (edema), e então direciono para tratamento com fisioterapia. Após resolução das dores, do edema e recuperação da mobilidade articular completa, indico fortalecimento muscular continuado e supervisionado, no intuito de prevenir novos episódios de luxação.

 

Como é o tratamento cirúrgico da luxação da patela? Para quem está indicado?

A ocorrência de dois ou mais episódios de luxação da patela caracteriza a luxação recidivante, que requer tratamento cirúrgico. Os casos de primeira luxação que estão associados a grande instabilidade, fraturas com desvio da patela ou desprendimento de fragmentos de cartilagem também tem indicação cirúrgica.

O tratamento cirúrgico deve compreender a correção dos fatores predisponentes associados, além da reconstrução do ligamento patelofemoral medial (LPFM), na maioria dos casos. Por ordem de frequência, a forma como opero esta condição é: mais comumente faço a reconstrução do LPFM por artroscopia, associada a condroplastia (raspagem da lesão de cartilagem associada, o que é bastante comum); em segundo lugar de frequência, situação consideravelmente menos comum, faço a reconstrução do LPFM por artroscopia, com a condroplastia e a liberação do retináculo patelar lateral (conhecido por “release lateral”); e ainda menos comumente, associo a estes procedimentos descritos acima a medialização da tuberosidade anterior da tíbia (também conhecido como procedimento ou cirurgia de Emslie-Trillat).

Cada um destes procedimentos descritos são indicados com base em critérios objetivos, dependendo dos achados clínicos e de imagem (radiografias, Tomografia Computadorizada e Ressonância Magnética). Desta forma, cada abordagem é bastante específica e particular para cada caso.

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